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18-05-2010

f.s

olho o céu. outro céu que não este. que não este daqui.

desta terra. que doutra cidade ou que de outras.

que paragens incertas, solitárias. imensas.

paragens de gentes e cem multidões.

que me dê mais ouvidos a mim e que leia mais livros. a mim.

e que ouça umas tantas canções. e que faça mais filmes.

que não veja e não faça mais filmes que os filmes da tela.

e uma dúzia de situações.

que saia de noite da casa e que passe sem casa outros tantos serões.

e que volte sem casa ou que volte p'ra casa mais cheio

de contradições.

. . .

há uma ida qualquer necessaria e inevitavel. imprescindivel e incontornavel. mas desconfortavel. e à frente dos olhos da cara e facilmente encarada se abaixo dos olhos da cara estiver um caminho de pedra em que o pedro... já foi.

08-05-2010

raiva?

e sempre que a raiva se apodera de mim. eu enrolo-a bem como um papel manuscrito de coisas em que eu não queria pensar e que deito para fora e que deito fora no lixo da merda que me vai cabeça. depois disso, isto passa e eu volto a sair de casa como se não me tivessem entrado na mente uma quantidade ridicula de coisas absurdas ou que simplesmente não eram nada a não ser ideias que eu tenho de coisas tão vãs como a raiva que eu tinha e já não tenho e que ainda tenho de cada vez em que penso em enrolá-la bem como um papel manuscrito de coisas em que eu não queria pensar. mas que penso. e depois disso, isto passa!

30-04-2010

escrever

ou escrever só p'ra ti
ou escrever sem que vejas ou saibas.

e as vezes que forem precisas
e as palavras que forem cantadas
e as canções que não forem ouvidas

.vão ficando saradas.

e esquecer-te. e lembrar-te
e escrever isso tudo
compactar as palavras
comprimir as feridas

como eu escrevo
e encontrar-te
e fugir-te
e evitar-te
e tentar perceber
que não quero

e ausentar-me.
e voltar.
e agarrar-te.
e agarrar-me.

e comer-te. ainda que viva
mesmo a quente. e aqui.

e matar-te!
dar-te a vida.
e aqui,

e embestar-me e prender-me.
embrutecido, aprender a falar.

apodrecer na prisão.
condenar-me a mim mesmo
a uma pena de morte
em directo. e na televisão

oito horas no sofá.

e escrever-te. e escrever-te. e escrever-te.
e as conversas que tenho contigo.

e aparecer-te em fantasma.
e não.
não te atazanar o juízo.
hoje não.

e escrever-te
e contar-te esta história.
já escrita.

.Um.Dois.e.Três.
.E Era uma vez

e escr.......

20-04-2010

|%&!/"|

Lençóis às riscas azuis
como os dias que riscas azuis da agenda
das coisas que tens que fazer e não fazes.
que adias. que a dias se fazem.
e que idealizas fazer.
ou que riscas azuis dos lençóis desta cama
de ideias felizes.
dois corpos à vez.
e são três. da manhã.
ou já seis e azul esta hora
o sol nasce agora e renasce-me,
luminosa e azul, a vontade.
outra vez.

chão

Partiho o corpo.
aos bocados pequenos.
numa pequena porção

encontro-me todo desintegrado

e as entranhas partidas
em pedaços. atirados ao chão

partilho o corpo
e a boca na boca
e a mão agarrada
a um abraço arrancado.
perdido.
e desfeito.
no meio do chão

e o nariz no cabelo.
e o nariz numa pele arrancada.
suavemente arrancada

e um osso apertado
partido, moído e largado

no lixo.
no chão.

 

04-04-2010

may.be

Talvez nos encontremos um dia, talvez, um dia mais tarde. Depois da hora de jantar e em cima duma mesa de pratos vazios. E eu te espere à porta de casa. Talvez te leve comigo para longe ou para perto das nossas conversas, um dia, mais tarde. Talvez até lá me sintas a falta, como eu já sinto a tua. Mas é certo e eu sei que a hora não é a nossa... Para já.

Não penses que te quero mal por não me quereres agora. Talvez por isso te queira mais ainda, mais tarde. Talvez um dia o talvez passe a ser uma certeza mais clara e os teus olhos que hoje vejo, continuem a olhar para os meus. Talvez um dia, talvez, tenhamos uma janela aberta para nós e as noites todas passadas em claro até ao amanhecer e o sol nos venha dizer todos os dias "bom dia!".

E talvez um dia, talvez, o mundo nos mostre que talvez tenha sido melhor assim...

30-03-2010

vid 2

Ao encontrar-te aqui na porta desta boca aberta, eu acertei num passo errado que dei. E ao sentir-te ao meu lado, fui muito mais eu do que queria alguma vez eu ter sido. Se uma janela nos abrisse o mundo todo para nós. E se de nós já só se visse a luz........

 

Não sei o que faríamos!

vid

Secretamente sei que a minha vida não foge ao certo dissabor das vidas que são normais e se salvam pela mão e o gesto duma má mulher.

22-03-2010

apontamento #1

Deixai-me ser mais discreto e mais parco em palavras, que por pouco ainda perco o bocado da história que deixei por escrever.