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26-10-2010

luzes

luzes.
e reluzes na escuridão desta estrada.
na viagem contigo sentada a meu lado.
à margem da vida normal das semanas.
das vidas a meias. a meias de vidros partidos.
e na solidão das palavras trocadas.
ao longe. daqui para aí.
e olho-me feio. e bonito que foi.
e será.

se na palavra mais certa encontro um abraço.
escondido. encontrado. escondido.
atrás dos abraços mais fortes que dei.
e que dou.
e tu estás junto a mim. junto a ti.
junto aqui, deixo tudo o que resta das minhas esperanças.
na vida e no sonho. imperfeito. mas belo de ti.

isto é tudo o que sinto para sempre.
por ti.

qse

e quando já só se escreve porque se acorda de manhã.
ou porque o dia não deixa. ou porque não se consegue.
dormir de noite. ou porque a noite não chama o teu corpo.
e o meu corpo. e os dois. ou só um. e eu quero.

21-10-2010

o dia.

é nos meus braços que traço as ideias que tenho de nós. sinto-nos pesados, mas leves ao irmos um dia onde nunca pensámos chegarmos a ser sempre aquilo que o sonho nos disse para ser. e leves o que leves, eu levo-me a mim e a ti, no meu carro. e num traço de braço, desenharei nossos corpos e os corpos que somos e os traços que fomos e as ideias que temos para nós e para sempre teremos ao sermos nesse dia talvez qualquer coisa, qualquer, uma mulher e um homem e um braço e dois traços e o sonho outra vez. se eu não pensasse e falasse mais alto que as palavras que escrevo, seria melhor.

04-10-2010

a volta da chuva aos dias.

se atravesso a estrada, não me sentarei à varanda como sempre. se os dias já deixam de ter sol, serão todos os dias os domingos que imaginei sempre eternos. se a música me aparece à frente dos olhos, e a chuva lá fora, eu nada farei para que ela deixe de tocar. e se a pele se me arrepia com a luz, eu fecho os olhos. e sim, vou para outro lugar.

os dias da chuva que volta.

luta na flor e na mão interior e do medo que tenho guardado cá dentro que a flor que me come outra vez as esperanças na vida e na morte e na sorte encontrei mas que sei não cuidar ao pensar que outra vez já falhei e que sei que ao falhar eu não soube guardar para sempre a canção que era nossa que é deles que é nossa outra vez desta vez tu não vês que eu não vejo e agora a não ser o que é feio e que veio de vez p'ra me encher a cabeça e começa outra vez a questão. digo não.

24-09-2010

um repto (de quem não os sabe dar, nem a si próprio)

deixa que os passaros te cantem

ou que a estrada te coma por inteiro,

ao comprido, estendida no chão.

 

deixa que a água te ilumine o caminho

e que saibas sempre os passos que não deves dar.

 

deixa a garganta a cantar duas vezes num dia,

só para ti, no teu quarto e na sala e na sala de estar.

 

deixa-me ir e levar desta casa o que trouxe

quando um dia cheguei cá sozinho, com nada

e com tudo cá dentro a chamar.

 

deixa-me só e nas minhas ideias e textos

que escrevo sem nexo, ou palavras perdidas

que encontro às vezes na rua e na estrada (e em ti)

ou nas casas que habito (na cama, como agora).

 

deixa-te. deixa-me e deixa-me estar.

deixa-nos ir.

 

é que já me habituei a deixar-me ficar só contigo.

e não sei se consigo deixar-me ficar

por aqui.

 

.

03-09-2010

roncos

Enormes roncos que me surgem na cabeça e me saem pela boca das ideias mal paridas. Que não tenho para mim não faço ideia o que é todo este enxerto de cutâneos movimentos. Não sei ainda o que serão estes enormes buracos nas superfícies desta pele que se me abre o interior e nele os órgãos às bactérias deste mundo. E vou tão fundo. E estou tão sujo e já dois banhos eu tomei esta manhã, naquela água da mais límpida banheira e a solidão que me assola nestes dias de Agosto. E a contra-gosto eu me encontro neste sítio. E é sozinho e é aqui só. Completamente abandonado e acompanhado de mim mesmo às duas da tarde e já o sol e são os roncos que não me saem da cabeça pela boca.

...j

e apareces tu, não sei de onde, ou sei tão bem. qual retrato enviado das areias duma praia. ou dum mar que é de ninguém, ou da gente e é com gente que me encontro a toda a hora ou só num dia. e é dia de trabalho e ao fim da tarde. foi do teu corpo que falei no outro dia. não sei se sabes.

16-08-2010

a.gosto.de.mim

cheirei a terra e o bafo que vinha do céu, era fumo ou incenso perfumado e o cheiro era a travo de chá e de hortelã. e o chão comeu-me aos bocados. mas vivo, como a terra e o mar e o bafo que vinha do céu. a humidade aqueceu-me o sabor dos finais destas tardes de agosto. e o gosto era bom. mas a terra e o mar e o bafo que vinha do céu era de homem, de fogo. e de fogo que negra florestas. e o mar era longe. isto aqui é de pedra e de água e de terra já seca e queimada. esta terra que teima em crescer duma vez. e para o ano, já verde, até volto para te ver outra vez.

poste

E tu esperas por mim enquanto eu me encosto a uma pedra, rochedo gigante que se me rebola por cima, esmagando-me o corpo e a alma e os olhos da cara, para que te não veja a ir embora, sem esperares por mim.