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18-06-2011

perto #31

Longe. Longe. Longe de Mim Querer-te Longe de Mim. Longe. Quero Ir para Longe Daqui. Para Perto de Mim. Para Longe de Ti. Mas Longe de Mim Querer-te Longe de Mim. Aqui Dentro Estás Perto. É Mais Certo Se Longe Estivermos Mais Perto. Mas Perto. Perto. Mas Longe. Longe de Aqui. Perto de Ti. Tu Perto de mim. Aqui. Aqui Perto. Aqui Longe. Longe.

17-06-2011

sim(não)

Não me rabisques os quadros
tão limpos e tão bem pintados
que estão por detrás desses estrados

Não me sujes as mãos com tinta da tua
dessa mania de andares nua
pela casa, à luz da lua, a passear

Não me desembrulhes ainda a prenda
deixa-me antes pagar a renda
e depois fazer-te o jantar

Não me contes os trocos todos
são já poucos os que me restam

Não me contes os teus engodos
ou as coisas que não prestam

Diz-me só coisas bonitas a mim
e o resto que se foda. Sim?

tueeu(ñhoje)

Reescrevo o texto todo outra vez
volto a olhar-te como quem olha a coisa mais certa.

Porque tu és incerta e imperfeição.
E eu também.
E o teu corpo é pequeno.

Tu tocas no alto dos telhados das casas,
sem da cama saíres.

Tu voas num anteceder dum sono profundo.
Tu acordas-me as manhãs todas de uma forma sincera
(sem saberes, sinceramente)
como as manhãs todas deviam ser.

E eu subo aos telhados por ti,
mas sem ti.

Tu desces à cave desta nossa já história.
Eu fecho a janela.
E tapo-nos aos dois.

Acordamos na madrugada
e respiramos-lhe o ar

medo

se há uma certa inclinação para o nervo, o nervo enerva-me de forma a deixar-me tenso. e nervoso. e o sentido das coisas que penso, são as coisas do mal, é a má-criação. é a forma mais feia de fazer as coisas que me apetecia fazer. há uma réstia de medo e de susto naquilo que sinto ou talvez seja apenas a minha eterna necessidade de ter uma mão a apertar-me a garganta ou talvez queira simplesmente talvez uma mão sobre a nuca. a dizer o que faça ou não faça, consoante a vontade. e que me passem paninhos já quentes nas costas e que encostem o seu corpo ao meu. de onde quer que a vontade se mude e se ajeite a esta forma de ser. e na vontade eu enrosco uma perna de onde quer que vier a saúde. e eu saúdo a estas coisas do bem que me fazes. fazias.

09-06-2011

caí(r)

Tu foste um segredo que eu fui sussurrando a mim mesmo. Mas a medo. E a medo e sem acreditar totalmente nessa verdade que nunca chegámos a ser. E eu fui construindo o muro que falo. E ergui tão alto esse muro, que é duro agora pensar que estava já quase desfeito quando me abriste o buraco no chão. E eu caí.

06-06-2011

deixa-me

Deixa-me enrolar-te e trocar-te os afectos. Deixa-te sentir-me e deixa que te sinta. Deixa isso. Deixa-me enrolar-te os pés pelas mãos e as mãos e os braços e os dedos e o corpo. Que te tire o vestido, que to vista. Que te dispa e me dispa contigo. Deixa-me dormir contigo. Ou deixa-me só acordar, que este sonho de ti não me deixa dormir. Deixa-te estar. Deixa-me estar. Não me deixes fugir e não fujas comigo. Não fujas. Deixa-me ver-te outra vez. E outra vez. E mais uma. Deixa lá. Deixa isso. Deixa isso para trás. Mas não deixes. Não deixes de me querer. Deixa-me segurar-te de pé. Deixa-me de pé. Deixa-me no chão ou por cima da cama. Deixa-me deixar-te hoje em casa. Deixa-me não ter de me despedir já de ti. Deixa-me abrir a janela e fechar esta porta. Deixa de estar tanto tempo tão longe e tão perto de mim sem que deixes que eu deixe de querer. Deixa que eu deixe de pedir que me deixes........

04-06-2011

repara(r)

Estou aqui. Repara em mim. Para que eu te repare os danos causados, eu sei bem pelo quê. Aumenta a intensidade da luz e observa-me e escuta-me, com muita atenção. Assiste sentada a este monólogo aborrecido e livremente inspirado em ti. Sobe um pouco mais os decibéis do som desta sala e deixa-me ficar muito mais tempo nesse sitio onde eu queria que fosse só eu a ficar, mais ninguém a não ser eu apenas, nesse sitio pequeno e feito à medida para mim. Dentro de ti. Nesse canto escondido no lado mais esquerdo do teu coração. Sim, do teu coração. Que tu tens. E sentir-te a tremer. E embalar-te essas quedas e quebras de tensão e levantar-te do chão. E tirar-te esse peso das costas. Tu gostas. E encostar-me a ti, nós os dois de costas com costas. Tu gostas. E pegar-te na mão. Isso não. Tocar-te no braço. E ficar. Nesse sitio pequeno e feito à medida, não sei se para mim. Dentro de ti.

27-05-2011

um dia inteiro

Um dia inteiro nesta casa não é coisa que se queira

a não ser na brincadeira

e suado e já cansado. deitado. e acordado

a dormir.

 

Um dia inteiro nesta casa não é coisa que se queira

a não ser de outra maneira.

e não assim amargurado. em solidão.

não. assim não.

 

Um dia inteiro nesta casa é coisa para sucumbir

e às vezes rir. ora a chorar. mas nem pensar

ou só pensar... e não sair.

 

Um inteiro dia inteiro nesta casa é inteiramente um desperdício

e um suplicio. ou uma oportunidade

para ficar, só mais um pouco,

nesta cidade.

m.ay

na manhã, de pressianas abertas ou semi-cerradas. ou noites de nadas. o teu corpo é esguio e eu sou eu. sem mais nada a não ser os meus olhos a olharem-te o corpo. não há comboios, mas há fumo. há uma mesa de café. e o teu corpo é esguio. os teus olhos rasgados e a minha mão na tua cara. não encontro, para lá de descrições perfeitamente óbvias, um sentido para aquilo que sinto. talvez seja o meu coração a bater mais forte. ou a tua força a puxar-me para baixo. mas eu sinto-me fraco. cansado e fortemente abalado pela violência das coisas que por vezes na vida acontecem às pessoas normais.

11-03-2011

o que me resta

Tudo o que me resta não é mais do que tempo
perdido e passado e bem gasto.

Todo consumido aos bocados em entradas e saídas
em portas mais estreitas que esta minha solidão
medicamente assistida.

Fui ao mar buscar-te uma luz. Oh cor azul.
Certeza mais reles de corpo encontrado
à deriva nas águas e atracado na areia.

Oh esteira onde te estendo as peles
e te beijo as pernas e os pés.

Renunciaria agora ao paraíso se me prendesses
duma vez por todas os braços e me cegasses a vista.

Não me queimes ainda a casa.
Não me apagues ainda o fogo.

Lá fora está um quintal a arder e em restos de cacos,
poeira das cinzas.

Não me digas quando vens. Aparece-me apenas à porta
de vez em quando e eu vou sempre querer ter-te aqui.

A tua pele é um segredo que guardo
e que todos os dias me conto a mim mesmo.

Já esqueci o que me resta.
Resta-me apenas agora lembrar-me de mim.