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10-04-2017

futuro.

não me leves

assim leve

sem termo

dormente

para outro lado

sem gente

arrastado

doente

 

mas leva-me

assim leve

acordado

contente

para outro lado

com gente

cientes

daquilo que somos

 

seja novo esse lado

e cerramos os dentes

esquecemos quem fomos

e tal como acordado

futuro

presentes.

04-02-2016

que dances

não te irrites

apesar de ser interminável a espera.

é dura esta espera. é duro e só espero

que tudo anoiteça e acorde como antes

no escuro. eu só estou. e só espero

que tudo fique como tudo era antes.

mas cansa.

 

e que amanheçam os dias, futuro.

e que todos os dias no dia todo, escureça.

e que abras as trancas da porta e que grites.

e que dances. e grites.

 

e que sem que te irrites, tu danças.

e danças.

e danças.

e danças.

 

05-11-2014

arde a madrugada

arde a madrugada.

queimo-a viva, ou como-a deitada?

arde, arde madrugada.

se a comer agora, nem sente nada.

se a queimo viva, coitada.

 

ar da madrugada.

que me dás destes

pensamentos, tormentos

que correm, que ardem.

cabeça queimada.

 

e quanto à madrugada...

não lhe faço nada.

22-08-2014

resumo

vide em braços

na pedra uma mão

embaraça-me a cabeça

anda às voltas com o corpo

não sei se serei. se serei ou não

há uma certa claridade na noite

e uma madrugada em cada dia

sei-me de mim e de ti

tu deitada. eu já vou

canto-me nas partes redondas da casa

mortalha a queimar

fumo desagradável no quarto, mas fumo.

abraço perdido

qual virgindade encontrada

obturador encravado

piano engasgado

ruído de fundo.

19-08-2013

sempre agosto.

duas estacas, um ponto morto. um recanto regado e flores à janela. haverá coisa mais bela? que o amanhecer. ou madrugada despida. tarde de flores vestida. e as cores do céu. mais o sol. e um rol de ideias que vêm à cabeça. que todos os dias amanheça. que a sagração aconteça. e eu ao teu lado. relativamente acordado. um corpo de barro, um réu. de duas estacas e o céu. e a caixa de velocidades do carro.

16-02-2013

poesia?

terei eu poesia?

nos dedos e nos olhos das mãos

farei eu matéria de filme ou de verbo

que de um corpo inanimado se anime ao vento

e ao som de harmonias sem tempo. atonais.

outonais, veranis, temporais, enxurradas.

 

farei eu matéria de tudo e de nada.

montagem. colagem. plano, contra-plano.

decrescente. contagem.

10. 8. e seis a destempo.

 

vamos fazer intemperis de vez

tu não vês e eu acordo de noite

e levanto todas as pedras do chão.

e escrevo um guião.

 

esperarás até sempre?

se eu nunca encontrar uma história que seja

aguardarás até aos 50 por mim,

que eu saiba escrever

que um poema se veja.

 

pararei só uns dias.

desligarei a TV. eu prometo.

não verei mais que as cores todas juntas. o preto.

não ouvirei mais que a tua voz e a minha cá dentro.

silêncio!

 

permanecerei quieto e sem força na cama

fechado e trancado no quarto despido de nu.

mas com luz, que arde e que chama.

por mim. tu!

 

e escrevi este texto.

sem jeito, sem fundo no breu

ou conceito. no fundo de tudo.

sou eu!

 

vestir-me-ei a preceito para ti.

minha obra maior.

um dia. se um dia quiser

ainda hei-de escrever.

 

mas se um dia ainda tarde não for.

pelo menos teremos feito

amor.

24-12-2012

pvt fb

Rasga-te. Amarrota-te e raspa-te. Abre-te como a janela. Senta-te como me sinto, cansado, a um canto. Rompe c'as cordas. Acorda. Cerca-me os caminhos p'ra casa e salta esse muro. É tudo mentira. Foge. Escreve palavras minhas nas entrelinhas. E o que não dizes na cara dos outros, por ser duro, diz no muro. E põe like no fim.

10-09-2012

. .

Se não escrevo é porque não tenho sentido a vontade de falar às linhas acerca de ti. Porque te tenho guardado aqui dentro e olhado com os meus olhos a luz que tu és. E porque tenho escovado os sapatos contigo. E porque regressas às aulas comigo. E porque já vejo as horas no pulso. Tenho-te sentido o pulso todas as noites que dormes antes de mim. E tenho dito palavras mais doces que eu. Tu és. E eu sou. Somos ambos capazes de aguentar só mais um pouco de tempo assim. E a serra entre nós. E as estradas. E um país inteiro atravessado na nossa cama e o nosso sofá a fronteira. Já tivemos fronteiras no meio dos lençóis. És a pessoa que eu mais quero para sempre. E ficarei contigo até lá.

06-06-2012

(ur)gente

cabeça de cavalo encurralada na mente. e o meu corpo dormente. a casa cheia de gente e o assunto é urgente. dormes aqui, agora comigo. e ali fora ao teu lado, os pássaros cantam em manhã e alvorada e a janela. é tudo o que é bom. de resto, vislumbro luzes e cores e sons e visceras de interiores de corpos avulsos, como as palavras. vislumbro acidente e cansaço mental, muscular talvez. vejo a força a quebrar e o medo nas ruas. cascas de ovos nas estradas e toalhas molhadas atiradas ao chão. olhos secos, cansados. está tudo farto. mas levantam-se todos na mesma e às mesmas horas de sempre. todos os dias. sempre. autocarros atrasados e as horas que passam. metro à pinha e metros de pinheiros queimados nos campos. salas de espera e eu à espera que morram, aqueles. gente imbecil e trapaça da gente. vale a pena insistir, que o assunto era urgente.

quando não há palavras há...