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16-10-2007

oeste

Ali estava eu.
Vulgarmente deitado,
Encontrado no chão
Da luz só me lembro da cor
Era amarela e seca
Mas brilhante
Do som esqueci-me.
E a cruz eras tu

Caminhei por entre o nevoeiro
(tinha-se instalado sem querer sob a estrada)
E a areia molhada
Eu temi
Mas prolonguei a estada

E fui longe ao Oeste
Procurar-me na luz
Ou pedir-lhe que empreste
Ao passado urgente uma réstia de gente
Da sua. Ou a lua que vejo daqui
Invejo estas ruas
Encharcadas de luz
Não ouço lamentos
E aos ventos do Oeste
(que humidade produz)
Não parem.
Para sempre.

e u

Sou um Ego sem ego
Só vácuo cá dentro
Uma mão em aberto
Tão cheia de nada
Sou eco em aberto
Ou um som que ecoa
Discreto num dia
De nuvens no céu
Sou as paredes vazias da casa
Sou uma asa arrancada
Sou o fardo nas costas da mulher cansada
Sinto enfado
Sou o papel que é rasgado
E o texto esquecido
Não lido nem escrito
Mesmo assim sou bonito
E o que sou ou não sou
Não é dito em versos alados
Cairia eu no erro de me descrever
Em palavras tão vãs
Como aquilo que penso de mim nesta hora
Muito embora admito:
Sou… Eu