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15-03-2010

M.

Os teus dedos, esguios e delicados, pousam sobre o copo e a folha de papel como um desenho feito por ti. Daqueles do caderno que trazes a lápis traçado e de risco marcado. E amanhã amarei mais ainda e serás o teu corpo e os teus dedos e mãos que eu já gosto. E mais esguio e outro copo nos dedos e boca e lábios no vidro do copo. E uma folha inteira e o meu desenho na folha. E os teus dedos esguios e delicados pousam sobre o copo e a folha de papel como um desenho feito por ti.

sexto andar

Corpo cansado
e mente dorida
alma presente
a meu lado
na morte e em vida
encontrei-te de frente
és gente

sei que este céu
é tão negro
quisesse eu encontrar
outra cor
como a tua

se possível, que nua
teu corpo
e os teus olhos
continuam-me a matar

rasga o teu sangue
encontrado no chão
diz-me verdades,
que eu sinta, de facto
da forma que vier
e que der
para sentir

enruga-me a pele
de tanto me agarrares
e agarra-te bem a mim

para quando saltarmos
do sexto andar das coisas
que somos
e eu queria que fossemos
muito mais coisas
seremos.

vestida

Por que voltas encontraste esta rua, se na praça não me viste pintado. E tu, nua, para mim... O teu corpo é de um dia lá longe. E uma cama para nós, nessa rua. É de calma que faço esta espera e é de espera que é feita esta luta... E à janela, que dá para a rua, tu estás. Mas vestida. De azul. Até já...