Ok

By continuing your visit to this site, you accept the use of cookies. These ensure the smooth running of our services. Learn more.

17-06-2011

sim(não)

Não me rabisques os quadros
tão limpos e tão bem pintados
que estão por detrás desses estrados

Não me sujes as mãos com tinta da tua
dessa mania de andares nua
pela casa, à luz da lua, a passear

Não me desembrulhes ainda a prenda
deixa-me antes pagar a renda
e depois fazer-te o jantar

Não me contes os trocos todos
são já poucos os que me restam

Não me contes os teus engodos
ou as coisas que não prestam

Diz-me só coisas bonitas a mim
e o resto que se foda. Sim?

tueeu(ñhoje)

Reescrevo o texto todo outra vez
volto a olhar-te como quem olha a coisa mais certa.

Porque tu és incerta e imperfeição.
E eu também.
E o teu corpo é pequeno.

Tu tocas no alto dos telhados das casas,
sem da cama saíres.

Tu voas num anteceder dum sono profundo.
Tu acordas-me as manhãs todas de uma forma sincera
(sem saberes, sinceramente)
como as manhãs todas deviam ser.

E eu subo aos telhados por ti,
mas sem ti.

Tu desces à cave desta nossa já história.
Eu fecho a janela.
E tapo-nos aos dois.

Acordamos na madrugada
e respiramos-lhe o ar

medo

se há uma certa inclinação para o nervo, o nervo enerva-me de forma a deixar-me tenso. e nervoso. e o sentido das coisas que penso, são as coisas do mal, é a má-criação. é a forma mais feia de fazer as coisas que me apetecia fazer. há uma réstia de medo e de susto naquilo que sinto ou talvez seja apenas a minha eterna necessidade de ter uma mão a apertar-me a garganta ou talvez queira simplesmente talvez uma mão sobre a nuca. a dizer o que faça ou não faça, consoante a vontade. e que me passem paninhos já quentes nas costas e que encostem o seu corpo ao meu. de onde quer que a vontade se mude e se ajeite a esta forma de ser. e na vontade eu enrosco uma perna de onde quer que vier a saúde. e eu saúdo a estas coisas do bem que me fazes. fazias.