17-06-2011
sim(não)
Não me rabisques os quadros
tão limpos e tão bem pintados
que estão por detrás desses estrados
Não me sujes as mãos com tinta da tua
dessa mania de andares nua
pela casa, à luz da lua, a passear
Não me desembrulhes ainda a prenda
deixa-me antes pagar a renda
e depois fazer-te o jantar
Não me contes os trocos todos
são já poucos os que me restam
Não me contes os teus engodos
ou as coisas que não prestam
Diz-me só coisas bonitas a mim
e o resto que se foda. Sim?
03:32 | Permalink | Comentários (0)
tueeu(ñhoje)
Reescrevo o texto todo outra vez
volto a olhar-te como quem olha a coisa mais certa.
Porque tu és incerta e imperfeição.
E eu também.
E o teu corpo é pequeno.
Tu tocas no alto dos telhados das casas,
sem da cama saíres.
Tu voas num anteceder dum sono profundo.
Tu acordas-me as manhãs todas de uma forma sincera
(sem saberes, sinceramente)
como as manhãs todas deviam ser.
E eu subo aos telhados por ti,
mas sem ti.
Tu desces à cave desta nossa já história.
Eu fecho a janela.
E tapo-nos aos dois.
Acordamos na madrugada
e respiramos-lhe o ar
03:06 | Permalink | Comentários (0)
medo
se há uma certa inclinação para o nervo, o nervo enerva-me de forma a deixar-me tenso. e nervoso. e o sentido das coisas que penso, são as coisas do mal, é a má-criação. é a forma mais feia de fazer as coisas que me apetecia fazer. há uma réstia de medo e de susto naquilo que sinto ou talvez seja apenas a minha eterna necessidade de ter uma mão a apertar-me a garganta ou talvez queira simplesmente talvez uma mão sobre a nuca. a dizer o que faça ou não faça, consoante a vontade. e que me passem paninhos já quentes nas costas e que encostem o seu corpo ao meu. de onde quer que a vontade se mude e se ajeite a esta forma de ser. e na vontade eu enrosco uma perna de onde quer que vier a saúde. e eu saúdo a estas coisas do bem que me fazes. fazias.
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