07-11-2009
três
trago um papel embrulhado no bolso para te dar há três meses. queimo-o amanhã. abro a janela. e fecho a porta. não necessáriamente por esta ordem. a ordem das coisas está trocada. a viagem que faço de carro deixa-me melancólico. mas a estrada é bonita e lembra-me que não te disse o que te queria dizer. sinto a chuva que cai nos vidros como feridas no corpo. a verdade é que me deixam mais calmo estas feridas no corpo. não sinto que sinta tristeza. é só um vazio qualquer que não se explica por palavras escritas. não explico assim o que sinto. há um bocadinho de ti em tudo o que faço. e sinto-o. embrulho outra vez o papel e guardo-o no bolso durante mais três meses.
19:35 | Permalink | Comentários (0)
contrário
sinto-me a andar ao contrário do mundo
em linhas tortas, direitas. num sono profundo.
o desejo é sempre uma força contrária, mas a força.
essa altera-se com os dias que passam.
eu passo-os bem. mas ando ao contrário.
alterno euforia com o espaço mais calmo da casa
e tenho uma asa ferida. voo ao contrário.
ao contrário de mim, estás tu também.
não voltes agora para trás nesta estrada perdida
volta para mim se fores em frente. ao contrário.
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